No Instituto Capibaribe, o Dia da Consciência Negra não é uma data isolada: é parte de um projeto anual, contínuo e multisseriado que começou em 2015, quando os professores se reuniram para responder a uma pergunta essencial: como abordar o racismo na escola de um jeito que realmente toque nossa comunidade?
Desde então, o Capibaribe vem construindo, ano após ano, um caminho coletivo de estudo, reflexão e ação — entendendo que educação antirracista é compromisso diário, processo e prática.
Em 2025, decidimos colocar a literatura antirracista no centro desse percurso. Seis escritoras negras brasileiras foram estudadas, lidas e apresentadas pelos estudantes, cada uma trazendo uma chave potente de reflexão sobre memória, identidade, resistência e futuro. Para fortalecer esse movimento, novas obras foram adquiridas para a biblioteca da escola, ampliando o acesso e o repertório de toda a comunidade escolar.
As autoras selecionadas foram:
Djamila Ribeiro, com sua escrita direta e profunda, que provoca a pensar sobre responsabilidade social e caminhos de transformação.
Conceição Evaristo, cuja poética de “escrevivências” coloca a vida das mulheres negras no centro da literatura brasileira.
Inaldete Pinheiro, estudada especialmente pelas turmas do Infantil, com sua obra que apresenta às crianças a força ancestral do baobá e das narrativas afro-brasileiras.
Ana Maria Gonçalves, que recentemente chegou à Academia Brasileira de Letras, trazendo para o debate a força histórica da diáspora e da reconstrução.
Carolina Maria de Jesus, memória viva da luta, da potência e da denúncia social, cuja obra segue urgente.
Barbara Carine, com Como Ser um Educador Antirracista, obra que nos convoca à responsabilidade cotidiana de transformar práticas e olhares dentro da escola.
Ao longo do projeto, não apenas mergulhamos no universo dessas autoras, mas também abrimos espaço para debates mais amplos: o que é branquitude? Por que políticas públicas de equidade são indispensáveis? Como fortalecer uma escola que reconhece diferenças, desmonta desigualdades e valoriza a pluralidade das experiências?
O encerramento foi marcado por um momento lúdico e cheio de significado: um bingo literário com o Pequeno Manual Antirracista, de Djamila Ribeiro, que aproximou estudantes, famílias e educadores em torno da leitura e da reflexão.
E, para celebrar nossa própria ancestralidade interna, o Capibaribe prestou homenagem à professora Teresa França, que completou 50 anos como educadora e integra a escola desde 2008. Uma professora cuja trajetória está entrelaçada com a história do nosso projeto antirracista e com o compromisso da escola de formar crianças e jovens capazes de olhar o mundo com criticidade, sensibilidade e coragem.
Celebrar o Dia da Consciência Negra no Capibaribe é reafirmar que aprender é também transformar — e que uma escola comprometida com o futuro precisa, antes de tudo, honrar as vozes, experiências e histórias que nos trouxeram até aqui.